CONVIVER PARA CRESCER
Pequenos inventores
Quando recicla objetos, transformando-os em brinquedos ou itens de decoração, a criança vivencia o prazer de construir algo, como explica Maria Angela Barbato, professora da Faculdade de Educação da PUC-SP e coordenadora do Núcleo de Cultura e Pesquisa do Brincar da PUC-SP
Cristiane Yamazato
CRESCER: Quais habilidades a criança desenvolve quando trabalha com a reciclagem de objetos?
MARIA ANGELA BARBATO: Quando faz uma atividade como essa, a criança está buscando soluções, resolvendo problemas e descobrindo coisas. Ao procurar novas funções para um objeto, ela vai percebendo a própria criatividade, uma capacidade que depende da função simbólica, que é inerente ao ser humano.
C: O contato com a arte ajuda a criança expressar as suas opinões, a sua personalidade?
M.A.B.: Sim. Nesse tipo de atividade, ela acaba exercitando, além da oralidade, diversas formas de linguagem e de expressão. A arte é propícia a esse desenvolvimento porque todos temos uma tendência para a arte e para a criação. A criança, que ainda não tem tantas barreiras como os adultos, é muito mais livre nesse processo criativo.
C: Uma criança que exercita a busca de um novo olhar para as coisas tem a possibilidade de se tornar um adulto com mais jogo de cintura?
M.A.B.: No Brasil, não existe nenhuma pesquisa específica sobre isso, mas observações empíricas mostram uma grande tendência nesse sentido. Enquanto trabalha com a transformação de um objeto, a criança reflete sobre o que está fazendo, sobre as possibilidades do material, e acaba descobrindo diversas soluções, muitas vezes, que não estão relacionadas à ela diretamente.
C: Esse processo, em que a crianca é um agente de transformação, fortalece sentimentos de realização e autoconfiança?
M.A.B.: Com certeza. Além disso, ajuda a melhorar a autonomia, habilidade com a qual muitas crianças têm dificuldade por conta da superproteção e do consumismo excessivo, tão comuns atualmente.
C: Esse tipo de atividade favorece também a socialização?
M.A.B.: Sim. Dentro e fora do grupo familiar. Ao participar de uma construção coletiva, a criança tem de dialogar, compor ideias, argumentar, ouvir a opinião dos outros. Para que o trabalho aconteça de maneira agradável, o grupo precisa entrar em consenso e, nesse processo, é preciso tolerância e respeito ao outro.
C: Essa prática pode ajudar a desenvolver uma postura mais crítica em relação ao consumismo?
M.A.B.: Sem dúvida. Nesse tipo de atividade, a criança vivencia o prazer de construir algo, de fazer uma transformação e de utilizar algo criado por ela. Quando recebe um brinquedo pronto, as possibilidades criativas da criança são limitadas. Muitas vezes, o brinquedo nem tem o desempenho que ela havia imaginado e isso gera uma desilusão em relação àquele objeto, por isso é que se compra tantas coisas que acabam não sendo utilizadas.
C: Como os pais podem incentivar esse tipo de prática?
M.A.B.: A maior dificuldade de muitos pais que querem colocar esse tipo de prática no cotidiano da família é a pressão do ambiente externo, a valorização do consumo, as comparações que a criança enfrenta. Cabe aos pais oferecer possibilidades aos filhos, sempre com jogo de cintura para evitar qualquer tipo de imposição, pois a atividade tem de ser prazerosa.
C: E como os pais podem envolver a criança?
M.A.B.: Estimular, e não obrigar, é a principal regra. Para estimular é preciso perguntar sempre a opinião da criança (“o que vamos fazer?”, “como será que isso pode ser feito?”). Assim, ela tem a possibilidade de pensar sobre as várias etapas do trabalho e descobrir soluções. É importante também que a criança escolha as suas tarefas no projeto. Os pais muitas vezes temem que as crianças possam se machucar com determinadas ferramentas, mas, se eles estiverem juntos, podem dar a orientação necessária. É importante que o pai esteja presente, que observe, mas que não interfira, a menos que seja solicitado.
C: E o que dizer aos pais que acham que não são muito habilidosos?
M.A.B.: É importante que eles procurem atividades nas quais se sintam confortáveis. Não adianta propor um trabalho que requer uma habilidade que ninguém temem casa. Além disso, a capacidade e as ideias das crianças nunca devem ser subestimadas. Muitas vezes, elas surgem com soluções muito mais simples e factíveis do que os adultos. Chamar outras crianças e pais, que compartilhem dos mesmos princípios, também pode tornar a atividade mais rica e interessante.
C: Qual é a vantagem de um brinquedo construído em família em comparação a um brinquedo industrializado?
M.A.B.: O brinquedo industrializado é um objeto feito pelo adulto, na sua visão de adulto, para a criança. Nem sempre o que o adulto propõe é o que causa mais prazer a criança. Muitas vezes, a criança ganha um brinquedo caro e nem se interessa por ele, prefere brincar com a caixa. Ou, por uma simples curiosidade, ela joga o brinquedo na parede para ver do que ele é feito. Muitos adultos ainda nao perceberam que quem dá vida ao objeto brinquedo é a criança.
MARIA ANGELA BARBATO: Quando faz uma atividade como essa, a criança está buscando soluções, resolvendo problemas e descobrindo coisas. Ao procurar novas funções para um objeto, ela vai percebendo a própria criatividade, uma capacidade que depende da função simbólica, que é inerente ao ser humano.
C: O contato com a arte ajuda a criança expressar as suas opinões, a sua personalidade?
M.A.B.: Sim. Nesse tipo de atividade, ela acaba exercitando, além da oralidade, diversas formas de linguagem e de expressão. A arte é propícia a esse desenvolvimento porque todos temos uma tendência para a arte e para a criação. A criança, que ainda não tem tantas barreiras como os adultos, é muito mais livre nesse processo criativo.
C: Uma criança que exercita a busca de um novo olhar para as coisas tem a possibilidade de se tornar um adulto com mais jogo de cintura?
M.A.B.: No Brasil, não existe nenhuma pesquisa específica sobre isso, mas observações empíricas mostram uma grande tendência nesse sentido. Enquanto trabalha com a transformação de um objeto, a criança reflete sobre o que está fazendo, sobre as possibilidades do material, e acaba descobrindo diversas soluções, muitas vezes, que não estão relacionadas à ela diretamente.
C: Esse processo, em que a crianca é um agente de transformação, fortalece sentimentos de realização e autoconfiança?
M.A.B.: Com certeza. Além disso, ajuda a melhorar a autonomia, habilidade com a qual muitas crianças têm dificuldade por conta da superproteção e do consumismo excessivo, tão comuns atualmente.
C: Esse tipo de atividade favorece também a socialização?
M.A.B.: Sim. Dentro e fora do grupo familiar. Ao participar de uma construção coletiva, a criança tem de dialogar, compor ideias, argumentar, ouvir a opinião dos outros. Para que o trabalho aconteça de maneira agradável, o grupo precisa entrar em consenso e, nesse processo, é preciso tolerância e respeito ao outro.
C: Essa prática pode ajudar a desenvolver uma postura mais crítica em relação ao consumismo?
M.A.B.: Sem dúvida. Nesse tipo de atividade, a criança vivencia o prazer de construir algo, de fazer uma transformação e de utilizar algo criado por ela. Quando recebe um brinquedo pronto, as possibilidades criativas da criança são limitadas. Muitas vezes, o brinquedo nem tem o desempenho que ela havia imaginado e isso gera uma desilusão em relação àquele objeto, por isso é que se compra tantas coisas que acabam não sendo utilizadas.
C: Como os pais podem incentivar esse tipo de prática?
M.A.B.: A maior dificuldade de muitos pais que querem colocar esse tipo de prática no cotidiano da família é a pressão do ambiente externo, a valorização do consumo, as comparações que a criança enfrenta. Cabe aos pais oferecer possibilidades aos filhos, sempre com jogo de cintura para evitar qualquer tipo de imposição, pois a atividade tem de ser prazerosa.
C: E como os pais podem envolver a criança?
M.A.B.: Estimular, e não obrigar, é a principal regra. Para estimular é preciso perguntar sempre a opinião da criança (“o que vamos fazer?”, “como será que isso pode ser feito?”). Assim, ela tem a possibilidade de pensar sobre as várias etapas do trabalho e descobrir soluções. É importante também que a criança escolha as suas tarefas no projeto. Os pais muitas vezes temem que as crianças possam se machucar com determinadas ferramentas, mas, se eles estiverem juntos, podem dar a orientação necessária. É importante que o pai esteja presente, que observe, mas que não interfira, a menos que seja solicitado.
C: E o que dizer aos pais que acham que não são muito habilidosos?
M.A.B.: É importante que eles procurem atividades nas quais se sintam confortáveis. Não adianta propor um trabalho que requer uma habilidade que ninguém tem
C: Qual é a vantagem de um brinquedo construído em família em comparação a um brinquedo industrializado?
M.A.B.: O brinquedo industrializado é um objeto feito pelo adulto, na sua visão de adulto, para a criança. Nem sempre o que o adulto propõe é o que causa mais prazer a criança. Muitas vezes, a criança ganha um brinquedo caro e nem se interessa por ele, prefere brincar com a caixa. Ou, por uma simples curiosidade, ela joga o brinquedo na parede para ver do que ele é feito. Muitos adultos ainda nao perceberam que quem dá vida ao objeto brinquedo é a criança.
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