quinta-feira, 10 de maio de 2012

As leis sobre diversidade


Nem sempre quem tem deficiência está matriculado na escola regular. Para reverter esse quadro, é fundamental que pais e educadores conheçam a legislação


Texto de Meire Cavalcante 
“Desculpe, não estamos preparados.” Pais de crianças com deficiência precisam saber: argumento como esse não pode impedir o filho de estudar.Professores e gestores devem lembrar: não há respaldo legal para recusar a matrícula de quem quer que seja.As leis que garantem a inclusão já existem há tempo suficiente (leia abaixo) para que as escolas tenham capacitado professores e adaptado a estrutura física e a proposta pedagógica. “Não aceitar alunos com deficiência é crime”, alerta Eugênia Augusta Gonzaga Fávero, procuradora da República em São Paulo. Alegislação brasileira garante indistintamente a todos o direito à escola, em qualquer nível de ensino, e prevê, além disso, o atendimento especializado a crianças com necessidades educacionais especiais. Esse atendimento deve ser oferecido preferencialmente no ensino regular e tem nome de Educação Especial. A denominação é confundida com escolarização especial. Esta ocorre quando a criança frequenta apenas classe ou escola que recebe só quem tem deficiência e lá aprende os conteúdos escolares. Isso é ilegal. Ela deve ser matriculada em escola comum, convivendo com quem não tem deficiência e, caso seja necessário, tem o direito de ser atendida no contraturno em uma dessas classes ou instituições, cujo papel é buscar recursos, terapias e materiais para ajudar o estudante a ir bem na escola comum. Esse acompanhamento – a Educação Especial – nada mais é que um complemento do ensino regular. 
Alguns estados, porém, estão reconhecendo essas escolas como de Ensino Fundamental Especial, o que não é previsto em lei, para facilitar o repasse de verbas do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental e de Valorização do Magistério (Fundef), contrariando a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB). A situação pode mudar com a regulamentação do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica (Fundeb). Segundo Cláudia Dutra, secretária de Educação Especial do Ministério da Educação, há negociações para aumentar o por- } centual diferenciado para o aluno com necessidades educacionais especiais. Os recursos devem financiar a escolarização da criança no ensino regular e o atendimento especializado em turno distinto. “Se a rede não oferecer esse serviço, o repasse poderá ser feito para instituições sem fins lucrativos, desde que elas estabeleçam convênios com as Secretarias de Educação e cumpram exclusivamente o papel de apoiar a escolarização, e não de substituí-la”, conclui Cláudia.

Várias leis e documentos internacionais estabeleceram os Direitos das pessoas com deficiência no nosso país. Confira alguns deles

1988
CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA

Prevê o pleno desenvolvimento dos cidadãos, sem preconceito de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação; garante o direito à escola para todos; e coloca como princípio para a Educação oacesso aos níveis mais elevados do ensino, da pesquisa e da criação artística, segundo a capacidade de cada um.

1989
LEI Nº 7.853/89

Define como crime recusar, suspender, adiar, cancelar ou extinguir a matrícula de um estudante por causa de sua deficiência, em qualquer curso ou nível de ensino, seja ele público ou privado. A pena para o infrator pode variar de um a quatro anos de prisão, mais multa.

1990
ESTATUTO DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE (ECA)

Garante o direito à igualdade de condições para o acesso e a permanência na escola, sendo o Ensino Fundamental obrigatório e gratuito (também aos que não tiveram acesso na idade própria); o respeito dos educadores; e atendimento educacional especializado, preferencialmente na rede regular. 

1994
DECLARAÇÃO DE SALAMANCA

O texto, que não tem efeito de lei, diz que também devem receber atendimento especializado crianças excluídas da escola por motivos como trabalho infantil e abuso sexual. As que têm deficiências graves devem ser atendidas no mesmo ambiente de ensino que todas as demais.

1996
LEI E DIRETRIZES E BASES DA EDUCAÇÃO NACIONAL (LBD)

A redação do parágrafo 2o do artigo 59 provocou confusão, dando a entender que, dependendo da deficiência, a criança só podia ser atendida em escola especial. Na verdade, o texto diz que o atendimento especializado pode ocorrer em classes ou em escolas especiais, quando não for possível oferecê-lo na escola comum.

2000
LEIS Nº10.048 E Nº 10.098

A primeira garante atendimento prioritário de pessoas com deficiência nos locais públicos. A segunda estabelece normas sobre acessibilidade física e define como barreira obstáculos nas vias e no interior dos edifícios, nos meios de transporte e tudo o que dificulte a expressão ou o recebimento de mensagens por intermédio dos meios de comunicação, sejam ou não de massa.

2001
DECRETO Nº3.956 (CONVENÇÃO DA GUATEMALA)

Põe fim às interpretações confusas da LDB, deixando clara a impossibilidade de tratamento desigual com base na deficiência. O acesso ao Ensino Fundamental é, portanto, um direito humano e privar pessoas em idade escolar dele, mantendo-as unicamente em escolas ou classes especiais, fere a convenção e a Constituição

CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA 
Prevê o pleno desenvolvimento dos cidadãos, sem preconceito de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação; garante o direito à escola para todos; e coloca como princípio para a Educação o“acesso aos níveis mais elevados do ensino, da pesquisa e da criação artística, segundo a capacidade de cada um.

BIBLIOGRAFIA
Direitos das Pessoas com Deficiência, Eugênia Augusta Gonzaga Fávero, 342 págs., Ed. WVA, tel.(21) 2493-7610, 40 reais 


http://revistaescola.abril.com.br/inclusao/inclusao-no-brasil/leis-diversidade-424523.shtml
28/06/2009

sábado, 21 de abril de 2012

Seu filho faz aniversário nas férias


Seu filho faz aniversário nas férias


As crianças querem festa e amigos, mas nesse período a comemoração vai exigir um pouco mais de criatividade, pois muitos colegas estão viajando. Veja o que fazer

Ana Paula Pontes

Shutterstock
Criança adora aniversário. Conta os dias para a chegada da data. Sonha com a festa, os presentes, os preparativos. Mas aquelas (e até os já adultos) que comemoram bem nos meses de fériasreclamam, afinal os amigos estão sempre viajando. “Eu sempre queria uma festa igual a dos meus amigos, e sempre tinha de ser diferente”, diz Alexandre Carvalho, pai de Larissa, de 11 meses, e aniversariante de janeiro. Uma comunidade no orkut, “Faço aniversário nas férias”, com mais de 100 mil membros confirma o descontentamento. 

Mas não é preciso drama. Se esse for o caso do seu filho, veja abaixo algumas dicas de como “contornar” o momento, para que a comemoração não passe em branco e seja tão divertida quanto das crianças que fazem aniversário em outros meses do ano: 

- Converse antes com o seu filho, explicando ao longo do ano que é provável que no dia de seu aniversário os amigos estejam viajando. Não espere chegar na data, para ele não se frustrar;

- Alguns dias antes do aniversário, veja as crianças que estarão na sua cidade (como amigos, primos, vizinhos) e converse com ele como quer comemorar: em casa, num piquenique no parque, num parque de diversões... Ele não vai se contentar com um bolo em casa apenas com adultos;

- Se você também estiver de férias, que tal fazer uma viagem? Mas uma comemoração precisa ter, mesmo que seja depois. Fale com seu filho sobre essa possibilidade;

- Combine com a criança de fazer uma festa na escola assim que as aulas voltarem, ou adiante-a para o fim do período letivo, para que comemore com todos os seus amigos;

- Se o aniversário cair justamente em feriados como Natal, Ano Novo e Carnaval, você pode aproveitar para fazer festas temáticas um pouco antes ou depois da data;

- Caso seu filho faça aniversário logo depois do Natal, explique para os parentes mais próximos que, apesar de ele ter acabado de ganhar um monte de presentes, vai esperar por uma lembrança de aniversário.

Frango em bolinhos: nuggets mais saudáveis


Frango em bolinhos: nuggets mais saudáveis


Que tal fazer essa comida que as crianças adoram? Vá com elas para a cozinha!

  Raoni Maddalena













Em vez de comprar pronto no supermercado, que tal fazer os nuggets em casa com seu filho? É fácil, mais saudável e tão deliciosos quanto. A receita é do livro Na Cozinha da Rebeca (Ed. Alaúde), da chef mirim Rebeca Chamma


  Raoni Maddalena
Nuggets de frango
Tempo de preparo: 1 hora
Rendimento: 20 unidades

Ingredientes
600 g de peito de frango cortado em cubos ou moído
1 colher (sobremesa) de alho picado
1 colher (chá) de sal
1/2 xícara (chá) de aveia em flocos finos
1 copo de leite
3 xícaras (chá) de farinha de rosca para empanar
Óleo (de milho ou canela) para pincelar

Como fazer
Coloque no processador de alimentos ou no liquidificador o frango, o alho e o sal. Bata até ficar bem moído e misturado. Acrescente aveia e vá despejando o leite aos poucos até ficar uma pasta grossa. Ponha o frango em uma tigela, cubra com filme plástico e leve ao freezer por uma hora. Retire do freezer e, com a ajuda de seu filho, molde os nuggets com as mãos. Em seguida, passe pela farinha de rosca. Arrume numa assadeira e pincele com um pouco de óleo cada nugget. Leve ao forno preaquecido a 180o por 15 minutos, vire os nuggets e deixe mais 15 minutos do outro lado.

  Raoni Maddalena

sexta-feira, 23 de março de 2012

Você sabe quando seu bebê está feliz?


Confira cinco sinais que mostram que seu filho está de bem com a vida

Raquel Temistocles

 Shutterstock
Você provavelmente já reconhece quando seu bebê precisa de algo ou está com alguma dor por causa do choro. Mas você sabe quando ele está se sentindo feliz? Cada vez que ele sorri, segura na sua mão ou simplesmente a olha calmamente, pode ser um sinal de que ele está melhor do que imagina. "O vínculo familiar estimula a criança a ser mais tranqüila, o que é um sinal de bem estar", afirma Tânia Shimoda, pediatra assistente do Instituto da Criança, do HC de São Paulo. Veja mais alguns sinais. 

Aconchego O toque da mãe e do pai faz a criança se sentir confortável. É por isso que muitas vezes o bebê chora quando é examinado por algum médico, ou quando está próximo a outras pessoas, mas fica calmo no colo dos pais. Essa interação é importante e a proximidade da família tranquiliza e deixa o bebê feliz. 

A movimentação A linguagem corporal do seu filho pode ser um sinal do que ele está sentindo. “Nos bebês com um pouco mais de controle para sentar, ele vai direcionar a movimentação do corpo para a mãe, ou vai engatinhar em direção a ela”, diz a pediatra. A presença dos pais é um estímulo e a resposta a ele é sinal de uma criança saudável. 

Objetos coloridos 
Através de uma estimulação visual, com um objeto colorido ou com algum brinquedinho como um chocalho, o bebê sorri e vai a procura desse objeto. “Se for um bebê menor ele movimenta a cabeça, se for um bebê maior, ele vai estender a mãozinha. O bebê que já engatinha, vai atrás”, afirma Shimoda. 

A voz O bebê que balbucia palavras na hora que você fala com ele também está “falando". Ele sente prazer em ouvir uma voz familiar de carinho. Se ele sorri a qualquer interação, é outro indício de que está contente. 

Dormir bem A criança que tem um sono tranqüilo e uma alimentação adequada expressa maior contentamento. Quando os pais mostram um alimento e o bebê abre a boca ou se movimenta para pegar, é um sinal de que reconhece o estímulo. O sorriso dessa interação diz tudo.

Natação faz bem para bebês, sim!


Apesar de pesquisadores belgas desaconselharem a atividade antes dos 12 meses, Sociedade Brasileira de Pediatria recomenda o esporte partir dos 6 meses, com alguns cuidados. Saiba mais

Bruna Menegueço

 Shutterstock
Você, certamente, já ouviu sobre os muitos benefícios que a natação proporciona aos bebês e crianças. Estudos já mostraram que a atividade treina a coordenação motora, estimula o sistema cardiovascular, aumenta a capacidade pulmonar e reforça o sistema imunológico (Isso mesmo! Seu filho não vai ficar mais resfriado se praticar o esporte).


No entanto, recentemente, especialistas do Conselho Superior da Saúde da Bélgica afirmaram que a natação não é recomendável para bebês com menos de 1 ano. Segundo os pesquisadores, após medirem os riscos e as vantagens do esporte para bebês, eles chegaram à conclusão de que não existem benefícios reais. 

Para Micheline Kirsch-Volders, diretora do estudo, nessa idade, as crianças são mais sujeitas a infecções por causa da imaturidade dos pulmões. Além disso, ela alerta para a variação da temperatura entre a piscina e os corredores que dão acesso a ela. Essa diferença brusca pode aumentar a presença de micro-organismos e, consequentemente, o risco de doenças. 

Aqui no Brasil, a recomendação da Sociedade Brasileira de Pediatria é a de que as crianças comecem a praticar natação a partir dos 6 meses. A partir dessa idade, o conduto auditivo (parte interna do ouvido), que até então era reto, forma uma curvatura, dificultando a entrada da água e reduzindo as chances de infecção. Além disso, o bebê também já estará imunizado contra alguns agentes.
Para o médico Mauro Vaisberg, especialista em medicina esportiva do Hospital Samaritano (SP), se a manutenção e a higiene da piscina e da água são bem cuidadas, os benefícios realmente são maiores que as desvantagens. “Para evitar doenças, observe se a água é limpa todos os dias, se as crianças tomam uma ducha antes de entrar na piscina e se os bebês usam fralda para natação”, alerta o especialista. Se possível, escolha uma piscina sem cloro. Esse produto pode irritar os olhos, maltratar os cabelos e a pele. Além disso, crianças com alergias respiratórias, em geral, não podem frequentar piscinas com cloro.
Qual a piscina ideal para bebês?
As opções de tratamento da água mais comuns ao cloro são à base de sal e ozônio. No caso da salinizada, por exemplo, o processo é simples: a água da piscina é previamente salgada com quatro gramas de sal comum por litro. Depois, ela passa por um processo de eletrólise, produzindo hipoclorito de sódio -- um cloro ativo natural que desinfeta e destrói bactérias, algas e microorganismos sem provocar efeitos colaterais. Já a ozonizada se baseia num sistema elétrico que purifica a água transformando o oxigênio do ar em ozônio, que, por sua vez, age oxidando as impurezas. O ozônio é quase 3.000 vezes mais potente que o cloro. Por isso, com dosagens muito mais baixas você consegue o mesmo resultado. 


Se o seu bebê frequentar piscina com cloro, um alerta. Certifique-se de que a escola ou academia utiliza o mínimo de cloro possível na água e não deixe seu filho ficar mais de 30 minutos. Outro cuidado é em relação à temperatura do local da piscina e do corredor que leva ao vestiário. Veja se não há corrente de vento e procure sempre levar um roupão para evitar um possível choque térmico, principalmente nos dias mais frios.

Com todos esses cuidados, esse momento será muito especial para você e para ele e um incentivo, desde cedo, para que adote o exercício físico como hábito. Ah! Não deixe de pedir para alguém fotografar vocês juntos. Vale esse registro no álbum de recordações e compartilhar com seus amigos nas redes sociais...

segunda-feira, 19 de março de 2012

Aumenta o som!

Aumenta o som!
MPB, cantigas de roda, rock, canções folclóricas, música erudita ou “Ai se eu te Pego”: o importante é ampliar o universo artístico de seu filho

Ricardo Alexandre. Foto: Edith Held/Corbis

Edith Held/Corbis
"Te dei o sol te dei o mar/pra ganhar teu coração/você é raio de saudade, meteoro da paixão/Explosão de sentimentos que eu não pude acreditar/Aaaaah, como é bom poder te amar!” Que versos malignos seriam aqueles, proclamados por tão dócil criaturinha à minha frente? Quem ousou implantar tais palavras na cabeça da “garotinha do papai”, que havia pouco cantava “Aquarela” de cabo a rabo? Com que facilidade minha filha de 4 aninhos decorara aquelas estranhas quadras? E, principalmente, oh, Senhor!, QUE MÚSICA ERA AQUELA? Era “Meteoro”, minha linda esposa me avisou, do cantor Luan Santana, de quem eu muito havia lido e nada ouvido até então. E aquele era o sinal do sucesso, do fenômeno pop, entrando pela porta de casa. E era grudento, fácil de cantar junto, de gritar a plenos pulmões do banco traseiro do carro ou passeando pelo parque, um autêntico hit de verão defendido por um menino superproduzido adotado pela máquina da indústria fonográfica, com todo o jeito de que não atravessaria o teste do tempo. Enfim, o pesadelo de qualquer pai que goste de música e queira transformar seus filhos em pequenos cognescenti das artes sonoras.
“Algumas coisas são simples, simplórias até, previsíveis do ponto de vista musical ou estético, mas, ninguém pode negar que haja ‘alguma coisa’ ali que pega as pessoas. Não deixa de ser uma virtude”, diz a educadora musical Teca Alencar de Brito, da escola Teca Oficina de Música (SP). Ela está quase me acalmando: “Isso vai acontecer pela vida inteira. Nós, adultos, também ficamos com algumas músicas na cabeça, umas se diluem; outras, não. Isso não é um problema. O problema acontece quando as crianças não têm opções para ampliar seu repertório musical, criar novas possibilidades, e acabam restritas ao que o mercado empurra a elas.”
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Enquanto converso com a educadora, o sol de verão cutuca minha testa e me lembra que dali a pouco é Carnaval e, com ele, as músicas de 2011 levadas para o trio elétrico (as apostas conservadoras recaem sobre “Ai se eu te Pego” como onipresente em todo o território nacional) e os axés produzidos especialmente para a temporada baiana de 2012 (“Leite Condensado”, com o grupo Parangolé, e “Dia de Farra e de Beijo”, de Claudia Leitte, são candidatas a hit, se é que interessa a você). Evidentemente, o fato de uma música ser pobre harmonicamente, ter letra repetitiva e óbvia, convidar à dança descerebrada e contar com aparato milionário de marketing não garante o sucesso, nem entre adultos, muito menos entre as crianças. “Na verdade, os pequenos estão alheios ao sistema”, acredita Paulo Tatit, da dupla Palavra Cantada. “Estão mais abertos ao que lhes emociona, sem se preocupar com conceitos estéticos ou com o mercado. Quem faz música para criança experimenta essa mesma liberdade, de ser instrumentalizado e aberto.” Tatit é muito direto ao sugerir qual o “mistério” das músicas que agradam às crianças (sejam canções infantis ou não, simplórias ou não). “É a melodia. Ela é que paralisa a criança, a tira do chão, que chama a atenção muito mais do que a harmonia e definitivamente mais do que a letra.” Que boa notícia: aos ouvidos de uma criança, Michel Teló e Igor Stravinsky têm exatamente a mesma chance.
“A música age no cérebro de maneira muito distribuída”, explica o neurologista Rodrigo Schultz. “Há muitas associações, de memória, de cheiros, de contextos. O sistema neurológico das crianças, ainda em formação, cria raízes que vão durar toda a vida. É impressionante, por exemplo, como vítimas de Alzheimer reagem a músicas que ouviram em sua infância.” Schultz, que trabalha no Instituto da Memória da Universidade Federal de São Paulo, lembra da importância do estímulo musical desde cedo: “Até a adolescência, as redes neurais ainda estão sendo criadas. Por isso, dá para concluir que o cérebro de alguém que foi estimulado por variados tipos de música vai se tornar muito diferente daquele exposto apenas ao que vê na televisão”.
É aí que entra também a responsabilidade da escola, segundo Marcelo Cunha Bueno, diretor pedagógico da escola Estilo de Aprender (SP). “Devemos desenvolver a linguagem artística da criança como um todo, alinhar o senso estético relacionando à música com a fotografia, com o cinema, com as artes plásticas”, diz Marcelo, também colunista da CRESCER. “A cultura é a afirmação da escolha. Não tem problema gostar de Xuxa ou do Justin Bieber. Nós gostamos de Antonio Nóbrega, Lia de Itamaracá, Hermeto Pascoal, ciranda e canções populares... e o aluno, o que acha? Essa discussão é fundamental, porque ajuda a dar oportunidade de escolha às crianças.”
Foi exatamente esse raciocínio que levou o então presidente Lula a sancionar em 2008 a Lei 11.769, que estabelecia a obrigatoriedade do ensino de música nas escolas de educação básica. Depois de três anos de preparação curricular, está previsto para este ano letivo a introdução da disciplina. Mas ainda há várias indefinições sobre o tema, como ficou claro durante um encontro da Frente Parlamentar em Defesa da Cultura com a ministra da Cultura Ana de Hollanda, em agosto último. Os pontos mais nebulosos são a respeito da formação dos professores e o enfoque do material didático. “É preciso formar os professores e mobilizar as escolas, dar recursos até que todos saibam usar da música para ensinar as crianças a enxergar as sutilezas, os detalhes, e até mesmo geografia e história, por exemplo”, afirma Marcelo.
De fato, entre todos os educadores e artistas ouvidos por esta reportagem, duas opiniões foram unânimes. A primeira, de que cabe aos pais o trabalho de incentivar a ampliação do repertório musical dos filhos. A segunda, de que a educação musical ensina os pequenos a desenvolver sua sensibilidade e capacidade de discernimento. “O jeito de ouvir música atualmente é muito diferente de há 20 anos, na época do disco de vinil”, ressalta Teca Alencar de Brito. “Mais do que nunca, a música chega às crianças já envolta no clipe, no filme, no desenho, na roupa, na dança. A missão do educador musical é ensinar a ouvir de um jeito menos fisiológico e mais consciente. Apurar, atentar para os detalhes, trazer à tona elementos que passariam despercebidos. Isso vale para a vida.”
“Até a adolescência, as redes neurais ainda estão sendo criadas. Por isso, dá para concluir que o cérebro de alguém que foi estimulado por variados tipos de música vai se tornar muito diferente daquele exposto apenas ao que vê na televisão”, diz Rodrigo Shultz, neurogista da Unifesp.

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

6 sinais que mostram que está na hora de ter outro bebê

6 sinais que mostram que está na hora de ter outro bebê

E o que você deve considerar antes de tomar essa decisão

Bruna Menegueço

 Shutterstock














Seu filho está crescendo e você começa a ter saudade de ter outro bebê em casa. Ou, então, um belo dia ele a surpreende pedindo um irmão. Está vivendo esse momento? Antes de tomar essa decisão, é preciso levar em conta alguns itens importantes.

Seu corpo já voltou ao normal? Fique atenta à sua saúde. Se você teve parto normal, o canal vaginal leva cerca de 40 dias para se restabelecer. No caso de cesárea, tudo é mais lento e você só deve cogitar ter outro bebê um ano após dar à luz. Além disso, enquanto você estiver amamentando, seu organismo libera uma substância chamada oxitocina, que contrai o útero. Por isso, é sempre melhor amamentar seu filho o maior tempo possível e, só após desmamá-lo, se preparar para uma nova gravidez.

Seu companheiro também quer? Ela deve ser tomada junto com seu companheiro. Você e ele devem estar dispostos a começar uma nova etapa familiar considerando todas as mudanças que esse novo bebê vai trazer. As modificações passam pela relação entre vocês já na gravidez com a montanha-russa de hormônios que mexe com a libido da mulher.

Um novo bebê cabe no bolso? O bolso sofre mudanças, não tem jeito, afinal mais gastos chegam com o novo bebê. O bom é se você guardou o enxoval do primeiro filho, o que faz com que vocês economizem em uma parte. Mas coloque na ponta do lápis os outros custos. Educação, vestuário, cuidados com a saúde, alimentação, viagens, diversão e cursos extracurriculares completam essa lista.

Esse é um bom momento para se afastar do trabalho? Analise a sua vida profissional. Se você voltou a trabalhar após a licença-maternidade e já recuperou o ritmo, veja se esse é um bom momento para se afastar novamente. Agora se você decidiu parar de trabalhar, aproveite essa fase!

Está disposta a adaptar a sua rotina? Leve em conta que durante a gestação, o seu pique vai diminuir. Você está disposta a controlar a alimentação e não beber aquela taça de vinho com os amigos? Pense no parto, nas noites de sono maldormidas, principalmente após o nascimento, o desafio da amamentação, da educação e até no ciúme do irmão mais velho. Mas lembre-se: muitos desafios você já sabe bem como são, o que vai diminuir a sua ansiedade, porque, no fim das contas, tudo dá certo.

A alegria de ter seu filho nos braços Depois dessa lista de considerações, não se esqueça de incluir a sensação de segurar seu filho nos braços pela primeira vez, aquele cheirinho de bebê novamente pela casa, a alegria que é para a outra criança ter um irmão. Talvez esse item seja o principal - e o que vai fazer você reconsiderar todos os demais.

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Um medo, várias possibilidades

Um medo, várias possibilidades

10 situações de medo bem comuns que podem acontecer nas famílias, e para cada uma delas, as dicas dos especialistas

Cristiane Rogerio

ThinkStock













Minha filha sempre dormiu, desde bebê com bem pouca luz, já estava dormindo sem nenhuma mas agora, aos 3 anos, insiste em dizer que tem um monstro embaixo da cama e, por isso, não quer ficar no escuro. Como posso fazer esse medo sumir? 
O ideal é ficar no quarto até que a menina adormeça. Se quiser, um colchonete ao lado da cama – de preferência nunca deitar na mesma cama da menina. Voltar no quarto quantas vezes ela pedir. É comum até ela aparecer no quarto dos pais, aí é voltar e começar tudo de novo. Claro que o complicador é o cansaço dos pais, mas é um tempo de dedicação que vai valer a pena. 

Odeio insetos e não sei como não passar esse medo para a minha filha, que ainda tem 1 ano. 
É difícil controlar os medos, pois são transmitidos através da reação e não pelas palavras. A criança de um ano vai registrar essa reação e só vai mudar tendo outras referências. Por isso, o convívio com outras pessoas como, no caso, se o pai da criança não tiver o mesmo medo, pode ajudar. 

Minha filha de 3 anos quer atravessar a rua se percebe que tem um boneco de ar (do posto de gasolina) no meio do caminho. Como resolver? 
O primeiro passo é identificar o objeto que gera o medo e nomeá-lo. Exemplo: "Este boneco assusta você, certo?". Depois incentivar uma ação, como por exemplo: "Vamos dar um grande sopro ou grito e falar que aqui ele não vai fazer nada!". E assim vai dando mais segurança para a criança. 

Papai Noel, palhaço e pessoas vestidas de bichos ou personagens são péssimos encontros para minha filha de 2 anos, que sempre chora quando vê. Chora no início, depois pede para eu ficar de longe, mas de um jeito que ela possa ver também. É normal? 
Esta criança provavelmente tem problema com lidar com o diferente, prefere sempre o que já é conhecido e identifica como algo “esquisito”. A parte boa desta história é que, pelo visto, ela vê as outras crianças brincando e dá o crédito a elas de que é bom. O caso aqui é primeiro respeitar esta que pode ser a natureza da criança. E o que se pode fazer é proporcionando oportunidades de a criança experimentar coisas diferentes, seja uma brincadeira, um alimento, um lugar novo. Isto já pode ajudar.
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Sem a gente perceber, meu filho de 5 anos viu as cenas de um tsunami e agora quando vamos à praia acha que vai acontecer a mesma coisa. Como proceder? 
Explicar, conforme a idade da criança, que na praia que eles estão não é igual ao filme é o primeiro passo. Detalhar mesmo que ali não acontecem as mesmas coisas, mostrar o lado bom de estar naquele lugar, e dizer que quando tiver algum tipo de perigo seus pais iriam proteger e não deixariam ficar lá. 

Tenho muito medo de injeção, mas nunca tratei e quando vou levar minha filha de 2 anos para vacinar sempre coloco no colo do pai. Como faço para ela não se assustar? Quando a mãe sabe percebe a limitação e procura ajuda do marido ela precisa comunicar . 
Mesmo quando percebemos nossa limitação podemos explicar nomeando uma outra pessoa para ajudar. Diga algo como: “O papai vai ajudar você, veja! Ele vai segurar você quando precisar dar uma picadinha”. Frases simples e diretas podem ir acalmando vocês dois. 

Meus pais sofreram um assalto há alguns meses e como nós todos ficamos muito assustados aqui em casa, minha filha, de 4 anos, agora tem medo de andar de carro por muito tempo, ficando em pânico em cada farol que paramos. O que eu posso fazer na hora ou conversar com ela depois? 
Isto pode ser chamado de medo aprendido, neste caso, pelo relato dos adultos. Ou seja, aconteceu porque o ambiente em que a criança vive ficou alterado com a situação, é um medo real. Ele deve acabar em algumas semanas, neste caso é mais paciência mesmo. Se não, é preciso procurar ajuda profissional.

Rafael Antón
Embora peça para eu ler, meu filho de 5 anos está com muito medo de lobo mau e bruxa. Vive falando neles, mas pede às vezes para eu parar a história no meio. É normal algumas vezes gostar e outras não? Devo continuar lendo? 
Sim, é normal. As histórias que despertam o medo também despertam a curiosidade. O que acontece com a criança é alternar mesmo os momentos de paralisar com o medo, e os momentos de superação do medo. É nesse jogo que ela vai se autoconhecer, o que é fundamental para enfrentar as dificuldades. 

A hora de ir ao médico está mais confusa em casa, porque meu filho, de 2 anos, fica apavorado quando encontraqualquer pessoa vestida toda de branco. Ele teve uma série de idas ao hospital para fazer inalações e acho que traumatizou. 
O ideal é que a família procure um médico que seja mais adepto ao lúdico. Ou seja, que tenha o ambiente arrumado de forma que a criança se sinta brincando, mais informal. Há até os que nem usam somente branco. O interessante aqui é que mesmo o cérebro tendo gravado a situação de medo, ele, com esse novo método, pode corrigir e fazer o medo passar. 




Depois do reveillón, meu filho de 1 ano e meio ficou com medo de fogos de artifício. Agora, quando começam os fogos por causa de um jogo de futebol, por exemplo, ele vai até a sacada e aponta para o céu, resmugando. Acho que é o barulho alto. A gente sempre fala que ele não precisa ficar com medo e que o papai e a mamãe estão ali com ele. Mas                  nem sei se essa é a melhor atitude. 

Sim, este é um jeito correto de agir. Mas não peça para a criança não sentir medo, porque ela sente mesmo. A primeira coisa, talvez, é tirar a dúvida com um otorrinolaringologista se a criança não tem uma sensibilidade a mais na audição. Depois, uma alternativa é criar um ambiente com brinquedos ou outras coisas que ela goste, os pais por perto e deixar na televisão ou algo assim uma gravação que tenha fogos. No início bem baixinho e depois vai aumentando. Para que ele faça associação do barulho a um ambiente acolhedor. Pode fazer isso duas vezes por semana, por três a quatro meses. Se isso não resolver, procure um especialista.
Fontes: Graziela Zlotnik Chehaibar, psicóloga e terapeuta familiar e pesquisadora na Faculdade de Medicina da USP e Neuza Corassa, psicóloga de Curitiba e responsável pelo site medos.com.br.