sábado, 29 de outubro de 2011

Cinco metas de todos pela educação:

Cinco metas de todos pela educação:
 1. Toda criança de 4 a 17 devem estar na escola;
 2. Toda criança plenamente alfabetizada até os 8 anos;
3. Todo aluno com aprendizado adequado com a sua série;
4. Todo jovem com o Ensino Médio concluído até os 19  anos;
5. Investimento e Educação ampliado e bem gerido.  
 
  

ENTREVISTA O aluno não tem culpa se alguém paga mal ao professor, diz Mozart Neves

ENTREVISTA

O aluno não tem culpa se alguém paga mal ao professor, diz Mozart Neves


O presidente do Todos Pela Educação acredita também que gestores públicos podem dar grandes saltos na educação através de um planejamento plural


    Mozart Neves é presidente do Todos Pela Educação
Aos 55 anos, o professor recifense Mozart Neves Ramos é um obstinado defensor do ensino de qualidade no País em mais de 30 anos de trabalhos dedicados à educação. Reitor da Universidade Federal de Pernambuco por oito anos (1996-1999 e 2000-2003) e secretário estadual de Educação entre 2003 e 2006, ele afirma que foram fundamentais na sua formação os estudos do filósofo Bertrand Russell e do escritor russo Dostoiévski, tanto na formação acadêmica como engenheiro químico quanto na que chama de formação cidadã. Mozart divide a agenda entre o Recife, devido às aulas na graduação, mestrado e doutorado na área de química da UFPE, e São Paulo, onde realiza as atividades do Programa Todos Pela Educação, do qual é presidente.
Com números referentes à Educação Básica do Brasil na ponta da língua e as respostas longas que lhes são características, Mozart Neves, que também é membro do Conselho Nacional de Educação (CNE) e da Câmara de Educação Básica do Conselho Nacional de Educação, conversou sobre a importância do professor e da família no aprendizado das crianças e jovens, e como os gestores públicos podem dar grandes saltos na educação, através de um planejamento plural.

JC Online - Qual a importância da educação básica para o desenvolvimento de uma sociedade?

Mozart Neves - Em primeiro lugar a oferta de educação básica e o acesso a ela estão previstos na constituição. É um direito de todo cidadão ter acesso à educação básica. Ela é a base, como o próprio nome diz, para o próprio desenvolvimento humano. Sem essa formação mínima, em geral, o cidadão fica alijado de exercer a sua própria cidadania.

O professor desempenha um papel fundamental no processo ensino-aprendizagem. A baixa qualidade da educação em países como o Brasil deve-se à desvalorização desse profissional?

M.N. - O papel do professor é central, mas não é o fim. Parece um antagonismo. Na verdade, sem um professor qualificado, países como Finlândia, Cingapura e Coreia não estariam no topo. Por quê? Eles conseguem atrair os melhores alunos do ensino médio para a carreira do magistério, é como medicina aqui, porque eles sabem que somente com excelentes professores vão poder ter excelentes alunos. Esses países pagam salário inicial atraente para trazer os melhores alunos do ensino médio, então o jovem que quer ser professor nesses países vê nessa carreira uma perspectiva ao longo de sua vida. Salário inicial atraente, carreira promissora e formação inicial sólida foram decisivos para atrair pessoas qualificadas para as salas de aula nesses países.
O que não é o caso do Brasil, onde a formação é muito ruim. E, por fim, as condições de trabalho. É preciso criar as condições para a aprendizagem; dar aos professores essas condições, mas também cobrar deles o seu compromisso no processo de aprendizagem. O professor exerce um papel determinante, mas não se conclui nele, se conclui no aluno. Eu sou professor há 33 anos na Federal (UFPE) e sempre digo aos meus alunos: Não adianta vocês gostarem da minha aula se vocês não estiverem aprendendo. Só faz sentido eu estar aqui se vocês aprenderem.

Como o professor de escola pública pode driblar as dificuldades de baixos salários e precárias condições de trabalho para cumprir com o seu papel?

M.N. - Em primeiro lugar a pessoa tem que querer ser professor. Não adianta ser professor porque é fácil de ingressar na carreira porque tem, em geral, até mais vagas. Quando você gosta do que faz, você luta nos dois fronts: uma é a luta boa em sala de aula para fazer com que os alunos aprendam com criatividade e a outra é na hora das reivindicações, nas pautas de greve. Eu acho que o aluno merece respeito, não é ele o culpado se alguém paga mal ao professor. O professor que falta simplesmente porque tem outros compromissos e a escola paga mal ele é vilão da educação porque eu tenho que lutar para melhorar o meu salário, mas eu não posso lutar deixando de fazer aquilo que eu me comprometi com meus alunos.

Pernambuco paga um dos piores salários do Brasil. Alunos de licenciaturas na UFPE me dizem que não têm estímulo para passar por toda uma seleção no vestibular e ganhar R$ 900, R$ 800. "Por que eu vou me submeter a dar 40 horas por semana para ganhar R$ 800 e o pior, sem perspectiva de carreira ao longo da minha vida?"

M.N. - Se o Brasil nos próximos anos não resolver a qualidade da Educação que passa, necessariamente, pela valorização do professor, se a gente não resolver essa equação do professor de atrair jovens, de criar mecanismos de carreira para esses jovens, não vai ter gente em sala de aula. Isso é uma vergonha para um País que hoje é líder na produção científica mundial na América Latina, que forma 10 mil doutores por ano e produz 30 mil artigos em revistas indexadas.

Como a família se insere nesse contexto?

M.N. - O papel da família é tão importante quanto o da escola. Mãe e pai têm obrigação de tirar um pouco do seu tempo pessoal para acompanhar a educação dos seus filhos. Hoje as família estão legando esse papel muito à escola. Você não educa uma pessoa somente colocando-a na escola; é preciso que em casa também haja o processo educacional. E todos os estudos mostram que, quando uma criança é educada nesse processo escola-casa, tem um desenvolvimento social muito melhor. A família tem que acompanhar esse processo, inclusive, na escola. Verificando a escola do ponto de vista da gestão, se o professor está passando dever de casa, indo para reunião de conselho de pais, cada um tem que fazer a sua parte.

Se todos têm interesse em melhorar a educação, quais as dificuldades encontrados pelos gestores públicos?

M.N. - Eu vou fazer uma comparação e falo sem nenhuma preocupação, pois não sou político; sou técnico em educação. Eu acho que Pernambuco tomou uma estratégia correta ao longo dos últimos 10 ou 15 anos, porque você não gera riqueza se não tiver desenvolvimento econômico. Agora, essa perna cresceu muito. Não é à toa que Pernambuco está crescendo muito mais do que o Brasil. Só que agora a gente tem que olhar o social. Quando houve a tomada de decisão correta de colocar toda criança na escola, lamentavelmente, como tudo no Brasil, não foi feito um planejamento de médio e longo prazo. Muda o governo, mudam os planejamentos. Quem paga não é o governo do dia, quem paga é a população. Eu tive muitos problemas na área financeira na minha gestão, e foi por isso que fui buscar empréstimo no Banco Mundial, que é o que hoje está servindo ao atual governo. O próprio Danilo [Cabral, ex-secretário de Educação de Pernambuco] não só usufruiu, mas ampliou os recursos.
O próximo governador, quem quer que seja, se quiser mesmo fazer uma grande diferença, é só convidar os concorrentes para fazer um Pacto Pela Educação do Estado. A partir do Plano Nacional, construímos um Estadual e, a partir daí, elaboramos um planejamento de pelo menos 10 anos. E que esse planejamento, construído como uma mesa plural, mas vendo aquilo que é prioridade, não para um segmento, não para o sindicato, não para o governo, não para o professor, mas o que é bom para Pernambuco na área de educação. Assim, você consegue crescer, independente de quem seja o governo.


Kant

" É no problema da educação que assenta o grande segredo do aperfeiçoamento da humanidade"
(Kant) 

Educação é básico.

Investir em educação é sinônimo de desenvolvimento

Os brasileiros estão entre os 10 povos mais ricos do mundo, mas essa posição cai para 75ª no IDH, que avalia a riqueza, educação e longevidade

Por Isabelle Figueirôa

Países que estão no topo da educação mundial também são destaques no desenvolvimento humano, de riqueza e de compartilhamente desses bens. É o caso da Finlândia, que ocupa 34ª posição no PIB (Produto Interno Bruto) global e o 12º lugar no Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) - que avalia a riqueza, educação e longevidade. Quando essa riqueza é dividida entre a população, o país sobe para a 11ª colocação no ranking mundial. A realidade do Brasil, porém, é bem diferente do país europeu. Os brasileiros estão entre os dez povos mais ricos do mundo segundo o Fundo Monetário Internacional baseado no PIB 2009, mas essa posição cai para 70ª quando a riqueza é compartilhada entre os habitantes (PIB Per Capta) e, no IDH, o País ocupa somente o 75º lugar.
"Não obstante o Brasil ter uma riqueza global enorme tem, por outro lado, uma má distribuição de renda que é reflexo da educação de baixa qualidade e da falta de acesso à escola", observa o presidente do programaTodos Pela Educação, Mozart Neves. Para ele, a educação cumpre um papel fundamental e estratégico em tornar a riqueza de uma nação mais compartilhada.
A relação direta entre avanços da economia e educação é confirmada pelos resultados do Pisa (sigla, em inglês, para Programa Internacional de Avaliação de Alunos), que testa o desempenho dos países na educação. Na última avaliação em 2006, a Finlândia ocupou o segundo lugar tanto nas avaliações de matemática quanto nas de leitura aplicadas entre alunos de 15 anos em 57 países que participam do programa. Já o Brasil ficou em 54º em matemática e 49º em leitura.
Os números comprovam que investir em educação é condição básica para uma sociedade mais justa, mais igualitária e desenvolvida. Estudo do Todos Pela Educação mostra que, quando uma pessoa tem um ano a mais de estudos no Brasil, o impacto na renda é de 15%. Se ela possui o ensino superior completo e cursa um ano de pós-graduação, o salto é de 47%. Mas se tiver apenas o ensino fundamental I, um ano a mais de estudo representa um impacto de somente 6% na renda.

terça-feira, 25 de outubro de 2011

Fotos da feira do conhecimento da minha sala - 2º ano - trabalhos feitos pelos alunos

  MEU PEQUENO MUNDO

 Com o apoio dos meus pequenos príncipes e príncesas e meu braço direito, minha grande amiga, Leila que se dedicou com muito carinho para que nossa sala fosse a mais bela. Agradeço aos pais que colaboraram e nos apoiaram nessa ideia. Muito obrigado a todos.

 Veja como ficou lindo

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Inclusão: sonho ou realidade?



Eis a palavra que vinga, hoje, no meio educacional:

Inclusão.

Antes de tudo, é melhor que se defina o que significa Inclusão Escolar.

Uma escola pode ser considerada inclusiva, quando não faz distinção entre seres humanos, não seleciona ou diferencia com base em julgamentos de valores como “perfeitos e não perfeitos”, “normais e anormais”.

É aquela que proporciona uma educação voltada para todos, de forma que qualquer aluno que dela faça parte, independente deste ser ou não portador de necessidades especiais, tenha condição de conhecer, aprender, viver e ser, num ambiente livre de preconceitos que estimule suas potencialidades e a formação de uma consciência crítica.

Inclusão não pode significar adequação ou normatização, tendo em vista um encaixar de alunos numa maioria considerada “privilegiada”, mas uma conduta que possibilitasse o “fazer parte”, um conviver que respeitasse as diferenças e não tentasse anulá-las.

A escola inclusiva deve ser aberta, eficiente, democrática, solidária e, com certeza, sua prática traz vários benefícios que serão abordados em um próximo artigo.

A escola inclusiva é aquela, como dito anteriormente, que se organiza para atender alunos não apenas ditos “normais”, mas também os portadores de deficiências, a começar por seu próprio espaço físico e acomodações. Salas de aula, bibliotecas, pátio, banheiros, corredores e outros ambientes são elaborados e adaptados em função de todos os alunos e não apenas daqueles ditos normais. Possui, por exemplo, cadeiras com braços de madeira tanto para destros quanto para canhotos, livros em braile ou gravados em fita cassete, corrimãos com apoio de madeira ou metal, rampas nos diferentes acessos de entrada e saída e assim por diante.

Mas, o principal pré-requisito não reside nos recursos materiais, já difíceis de serem obtidos por todos os estabelecimentos de ensino. O principal suporte está centrado na filosofia da escola, na existência de uma equipe multidisciplinar eficiente e no preparo e na metodologia do corpo docente.

E é aqui que começo a me questionar sobre o que é real e o que pode ser quase utópico, mediante a realidade de nosso sistema educacional.

Como professora e gestalt-terapeuta, não posso deixar de pensar em como é difícil ao ser humano experenciar a inclusão em um relacionamento com outra pessoa dita “normal”e “perfeita”.

Como já é difícil para o homem estar em contato, ser capaz de pular para o outro lado, não ser só empático, mas estar presente e confirmar o outro, suspendendo seus preconceitos, permanecendo aberto para a fenomenologia de outro ser, sem que haja qualquer diferença visível ou manifestação de necessidades especiais... O que dirá quando estas estiverem realmente presentes? Como conseguir falar e conversar com a alma de outro ser e não só com a sua cabeça?

Se realizar a inclusão como forma de relacionamento e de diálogo em situações habituais já é um grande desafio, o que poderemos pensar sobre “ensinar inclusivamente”? É como se quiséssemos colher os frutos sem antes cuidar da terra, escolher cuidadosamente a semente, respeitando as estações e o tempo certo.

A Inclusão Escolar só pode ser viável enquanto fruto e não como terra ou arado. Ela só poderá acontecer realmente quando aquele que tem a função de plantar, ou seja, o professor e toda a equipe que faz parte do funcionamento da escola, desde a direção até o servente, mudarem sua atitude em relação ao lidar com a diferença, aceitando-a, estabelecendo novas formas de relação, de afetividade, de escuta e de compreensão, suspendendo juízos de valores que abarcam pena, repulsa e descrença.

Está nosso sistema educacional preparado para acolher a diferença em suas salas de aula?

Penso no predomínio de uma atitude sócio-econômica individualista, no relacionamento conflitante entre escola e família, nos atritos que marcam a comunicação entre professor, pais e o aluno, com tanta dificuldade, hoje, em gostar de aprender, bem como de lidar com a hierarquia e com a colocação de limites. E tudo isso acontece na escola não inclusiva, com alunos ditos “normais”.

Como acolher o aluno com necessidades especiais se não se consegue lidar saudavelmente com as diferenças inerentes à própria existência humana?

A Inclusão Escolar depende antes de tudo de um reconhecimento humilde por parte da Escola e da Sociedade, da qual aquela faz parte, da necessidade de se educarem a si mesmas para lidar com a diferença, antes de criarem técnicas, estratégias ou métodos.

Quando reflito sobre a Inclusão Escolar, dois sentimentos se apropriam de mim: o receio de como esta será conduzida e a preocupação com um equilíbrio filosófico que lhe dê suporte.

Sou contra atitudes extremas e radicais, por serem elas disfuncionais. A meta tem que se basear num enfoque equilibrado, onde, de um lado, não se alimente a segregação do aluno com necessidades especiais, colocando-o em uma sala distanciada, e de outro, não se queira incluí-lo na classe regular, passando por cima de suas características e do que precisa em relação tanto ao espaço físico como de atendimento profissional especializado e multidisciplinar.

Somos seres em relação e só crescemos em relação. Assim sendo, o equilíbrio para mim reside, antes de tudo, em permitir que o aluno portador de necessidades especiais possa interagir com os demais e vice-versa, e que ambos aprendam a lidar com as diferenças, não para anulá-las, mas para poder usá-las como fonte de contato verdadeiro e de amadurecimento mútuo.

Texto de Elisabeth Salgado