sexta-feira, 23 de março de 2012

Você sabe quando seu bebê está feliz?


Confira cinco sinais que mostram que seu filho está de bem com a vida

Raquel Temistocles

 Shutterstock
Você provavelmente já reconhece quando seu bebê precisa de algo ou está com alguma dor por causa do choro. Mas você sabe quando ele está se sentindo feliz? Cada vez que ele sorri, segura na sua mão ou simplesmente a olha calmamente, pode ser um sinal de que ele está melhor do que imagina. "O vínculo familiar estimula a criança a ser mais tranqüila, o que é um sinal de bem estar", afirma Tânia Shimoda, pediatra assistente do Instituto da Criança, do HC de São Paulo. Veja mais alguns sinais. 

Aconchego O toque da mãe e do pai faz a criança se sentir confortável. É por isso que muitas vezes o bebê chora quando é examinado por algum médico, ou quando está próximo a outras pessoas, mas fica calmo no colo dos pais. Essa interação é importante e a proximidade da família tranquiliza e deixa o bebê feliz. 

A movimentação A linguagem corporal do seu filho pode ser um sinal do que ele está sentindo. “Nos bebês com um pouco mais de controle para sentar, ele vai direcionar a movimentação do corpo para a mãe, ou vai engatinhar em direção a ela”, diz a pediatra. A presença dos pais é um estímulo e a resposta a ele é sinal de uma criança saudável. 

Objetos coloridos 
Através de uma estimulação visual, com um objeto colorido ou com algum brinquedinho como um chocalho, o bebê sorri e vai a procura desse objeto. “Se for um bebê menor ele movimenta a cabeça, se for um bebê maior, ele vai estender a mãozinha. O bebê que já engatinha, vai atrás”, afirma Shimoda. 

A voz O bebê que balbucia palavras na hora que você fala com ele também está “falando". Ele sente prazer em ouvir uma voz familiar de carinho. Se ele sorri a qualquer interação, é outro indício de que está contente. 

Dormir bem A criança que tem um sono tranqüilo e uma alimentação adequada expressa maior contentamento. Quando os pais mostram um alimento e o bebê abre a boca ou se movimenta para pegar, é um sinal de que reconhece o estímulo. O sorriso dessa interação diz tudo.

Natação faz bem para bebês, sim!


Apesar de pesquisadores belgas desaconselharem a atividade antes dos 12 meses, Sociedade Brasileira de Pediatria recomenda o esporte partir dos 6 meses, com alguns cuidados. Saiba mais

Bruna Menegueço

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Você, certamente, já ouviu sobre os muitos benefícios que a natação proporciona aos bebês e crianças. Estudos já mostraram que a atividade treina a coordenação motora, estimula o sistema cardiovascular, aumenta a capacidade pulmonar e reforça o sistema imunológico (Isso mesmo! Seu filho não vai ficar mais resfriado se praticar o esporte).


No entanto, recentemente, especialistas do Conselho Superior da Saúde da Bélgica afirmaram que a natação não é recomendável para bebês com menos de 1 ano. Segundo os pesquisadores, após medirem os riscos e as vantagens do esporte para bebês, eles chegaram à conclusão de que não existem benefícios reais. 

Para Micheline Kirsch-Volders, diretora do estudo, nessa idade, as crianças são mais sujeitas a infecções por causa da imaturidade dos pulmões. Além disso, ela alerta para a variação da temperatura entre a piscina e os corredores que dão acesso a ela. Essa diferença brusca pode aumentar a presença de micro-organismos e, consequentemente, o risco de doenças. 

Aqui no Brasil, a recomendação da Sociedade Brasileira de Pediatria é a de que as crianças comecem a praticar natação a partir dos 6 meses. A partir dessa idade, o conduto auditivo (parte interna do ouvido), que até então era reto, forma uma curvatura, dificultando a entrada da água e reduzindo as chances de infecção. Além disso, o bebê também já estará imunizado contra alguns agentes.
Para o médico Mauro Vaisberg, especialista em medicina esportiva do Hospital Samaritano (SP), se a manutenção e a higiene da piscina e da água são bem cuidadas, os benefícios realmente são maiores que as desvantagens. “Para evitar doenças, observe se a água é limpa todos os dias, se as crianças tomam uma ducha antes de entrar na piscina e se os bebês usam fralda para natação”, alerta o especialista. Se possível, escolha uma piscina sem cloro. Esse produto pode irritar os olhos, maltratar os cabelos e a pele. Além disso, crianças com alergias respiratórias, em geral, não podem frequentar piscinas com cloro.
Qual a piscina ideal para bebês?
As opções de tratamento da água mais comuns ao cloro são à base de sal e ozônio. No caso da salinizada, por exemplo, o processo é simples: a água da piscina é previamente salgada com quatro gramas de sal comum por litro. Depois, ela passa por um processo de eletrólise, produzindo hipoclorito de sódio -- um cloro ativo natural que desinfeta e destrói bactérias, algas e microorganismos sem provocar efeitos colaterais. Já a ozonizada se baseia num sistema elétrico que purifica a água transformando o oxigênio do ar em ozônio, que, por sua vez, age oxidando as impurezas. O ozônio é quase 3.000 vezes mais potente que o cloro. Por isso, com dosagens muito mais baixas você consegue o mesmo resultado. 


Se o seu bebê frequentar piscina com cloro, um alerta. Certifique-se de que a escola ou academia utiliza o mínimo de cloro possível na água e não deixe seu filho ficar mais de 30 minutos. Outro cuidado é em relação à temperatura do local da piscina e do corredor que leva ao vestiário. Veja se não há corrente de vento e procure sempre levar um roupão para evitar um possível choque térmico, principalmente nos dias mais frios.

Com todos esses cuidados, esse momento será muito especial para você e para ele e um incentivo, desde cedo, para que adote o exercício físico como hábito. Ah! Não deixe de pedir para alguém fotografar vocês juntos. Vale esse registro no álbum de recordações e compartilhar com seus amigos nas redes sociais...

segunda-feira, 19 de março de 2012

Aumenta o som!

Aumenta o som!
MPB, cantigas de roda, rock, canções folclóricas, música erudita ou “Ai se eu te Pego”: o importante é ampliar o universo artístico de seu filho

Ricardo Alexandre. Foto: Edith Held/Corbis

Edith Held/Corbis
"Te dei o sol te dei o mar/pra ganhar teu coração/você é raio de saudade, meteoro da paixão/Explosão de sentimentos que eu não pude acreditar/Aaaaah, como é bom poder te amar!” Que versos malignos seriam aqueles, proclamados por tão dócil criaturinha à minha frente? Quem ousou implantar tais palavras na cabeça da “garotinha do papai”, que havia pouco cantava “Aquarela” de cabo a rabo? Com que facilidade minha filha de 4 aninhos decorara aquelas estranhas quadras? E, principalmente, oh, Senhor!, QUE MÚSICA ERA AQUELA? Era “Meteoro”, minha linda esposa me avisou, do cantor Luan Santana, de quem eu muito havia lido e nada ouvido até então. E aquele era o sinal do sucesso, do fenômeno pop, entrando pela porta de casa. E era grudento, fácil de cantar junto, de gritar a plenos pulmões do banco traseiro do carro ou passeando pelo parque, um autêntico hit de verão defendido por um menino superproduzido adotado pela máquina da indústria fonográfica, com todo o jeito de que não atravessaria o teste do tempo. Enfim, o pesadelo de qualquer pai que goste de música e queira transformar seus filhos em pequenos cognescenti das artes sonoras.
“Algumas coisas são simples, simplórias até, previsíveis do ponto de vista musical ou estético, mas, ninguém pode negar que haja ‘alguma coisa’ ali que pega as pessoas. Não deixa de ser uma virtude”, diz a educadora musical Teca Alencar de Brito, da escola Teca Oficina de Música (SP). Ela está quase me acalmando: “Isso vai acontecer pela vida inteira. Nós, adultos, também ficamos com algumas músicas na cabeça, umas se diluem; outras, não. Isso não é um problema. O problema acontece quando as crianças não têm opções para ampliar seu repertório musical, criar novas possibilidades, e acabam restritas ao que o mercado empurra a elas.”
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Enquanto converso com a educadora, o sol de verão cutuca minha testa e me lembra que dali a pouco é Carnaval e, com ele, as músicas de 2011 levadas para o trio elétrico (as apostas conservadoras recaem sobre “Ai se eu te Pego” como onipresente em todo o território nacional) e os axés produzidos especialmente para a temporada baiana de 2012 (“Leite Condensado”, com o grupo Parangolé, e “Dia de Farra e de Beijo”, de Claudia Leitte, são candidatas a hit, se é que interessa a você). Evidentemente, o fato de uma música ser pobre harmonicamente, ter letra repetitiva e óbvia, convidar à dança descerebrada e contar com aparato milionário de marketing não garante o sucesso, nem entre adultos, muito menos entre as crianças. “Na verdade, os pequenos estão alheios ao sistema”, acredita Paulo Tatit, da dupla Palavra Cantada. “Estão mais abertos ao que lhes emociona, sem se preocupar com conceitos estéticos ou com o mercado. Quem faz música para criança experimenta essa mesma liberdade, de ser instrumentalizado e aberto.” Tatit é muito direto ao sugerir qual o “mistério” das músicas que agradam às crianças (sejam canções infantis ou não, simplórias ou não). “É a melodia. Ela é que paralisa a criança, a tira do chão, que chama a atenção muito mais do que a harmonia e definitivamente mais do que a letra.” Que boa notícia: aos ouvidos de uma criança, Michel Teló e Igor Stravinsky têm exatamente a mesma chance.
“A música age no cérebro de maneira muito distribuída”, explica o neurologista Rodrigo Schultz. “Há muitas associações, de memória, de cheiros, de contextos. O sistema neurológico das crianças, ainda em formação, cria raízes que vão durar toda a vida. É impressionante, por exemplo, como vítimas de Alzheimer reagem a músicas que ouviram em sua infância.” Schultz, que trabalha no Instituto da Memória da Universidade Federal de São Paulo, lembra da importância do estímulo musical desde cedo: “Até a adolescência, as redes neurais ainda estão sendo criadas. Por isso, dá para concluir que o cérebro de alguém que foi estimulado por variados tipos de música vai se tornar muito diferente daquele exposto apenas ao que vê na televisão”.
É aí que entra também a responsabilidade da escola, segundo Marcelo Cunha Bueno, diretor pedagógico da escola Estilo de Aprender (SP). “Devemos desenvolver a linguagem artística da criança como um todo, alinhar o senso estético relacionando à música com a fotografia, com o cinema, com as artes plásticas”, diz Marcelo, também colunista da CRESCER. “A cultura é a afirmação da escolha. Não tem problema gostar de Xuxa ou do Justin Bieber. Nós gostamos de Antonio Nóbrega, Lia de Itamaracá, Hermeto Pascoal, ciranda e canções populares... e o aluno, o que acha? Essa discussão é fundamental, porque ajuda a dar oportunidade de escolha às crianças.”
Foi exatamente esse raciocínio que levou o então presidente Lula a sancionar em 2008 a Lei 11.769, que estabelecia a obrigatoriedade do ensino de música nas escolas de educação básica. Depois de três anos de preparação curricular, está previsto para este ano letivo a introdução da disciplina. Mas ainda há várias indefinições sobre o tema, como ficou claro durante um encontro da Frente Parlamentar em Defesa da Cultura com a ministra da Cultura Ana de Hollanda, em agosto último. Os pontos mais nebulosos são a respeito da formação dos professores e o enfoque do material didático. “É preciso formar os professores e mobilizar as escolas, dar recursos até que todos saibam usar da música para ensinar as crianças a enxergar as sutilezas, os detalhes, e até mesmo geografia e história, por exemplo”, afirma Marcelo.
De fato, entre todos os educadores e artistas ouvidos por esta reportagem, duas opiniões foram unânimes. A primeira, de que cabe aos pais o trabalho de incentivar a ampliação do repertório musical dos filhos. A segunda, de que a educação musical ensina os pequenos a desenvolver sua sensibilidade e capacidade de discernimento. “O jeito de ouvir música atualmente é muito diferente de há 20 anos, na época do disco de vinil”, ressalta Teca Alencar de Brito. “Mais do que nunca, a música chega às crianças já envolta no clipe, no filme, no desenho, na roupa, na dança. A missão do educador musical é ensinar a ouvir de um jeito menos fisiológico e mais consciente. Apurar, atentar para os detalhes, trazer à tona elementos que passariam despercebidos. Isso vale para a vida.”
“Até a adolescência, as redes neurais ainda estão sendo criadas. Por isso, dá para concluir que o cérebro de alguém que foi estimulado por variados tipos de música vai se tornar muito diferente daquele exposto apenas ao que vê na televisão”, diz Rodrigo Shultz, neurogista da Unifesp.