quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Um medo, várias possibilidades

Um medo, várias possibilidades

10 situações de medo bem comuns que podem acontecer nas famílias, e para cada uma delas, as dicas dos especialistas

Cristiane Rogerio

ThinkStock













Minha filha sempre dormiu, desde bebê com bem pouca luz, já estava dormindo sem nenhuma mas agora, aos 3 anos, insiste em dizer que tem um monstro embaixo da cama e, por isso, não quer ficar no escuro. Como posso fazer esse medo sumir? 
O ideal é ficar no quarto até que a menina adormeça. Se quiser, um colchonete ao lado da cama – de preferência nunca deitar na mesma cama da menina. Voltar no quarto quantas vezes ela pedir. É comum até ela aparecer no quarto dos pais, aí é voltar e começar tudo de novo. Claro que o complicador é o cansaço dos pais, mas é um tempo de dedicação que vai valer a pena. 

Odeio insetos e não sei como não passar esse medo para a minha filha, que ainda tem 1 ano. 
É difícil controlar os medos, pois são transmitidos através da reação e não pelas palavras. A criança de um ano vai registrar essa reação e só vai mudar tendo outras referências. Por isso, o convívio com outras pessoas como, no caso, se o pai da criança não tiver o mesmo medo, pode ajudar. 

Minha filha de 3 anos quer atravessar a rua se percebe que tem um boneco de ar (do posto de gasolina) no meio do caminho. Como resolver? 
O primeiro passo é identificar o objeto que gera o medo e nomeá-lo. Exemplo: "Este boneco assusta você, certo?". Depois incentivar uma ação, como por exemplo: "Vamos dar um grande sopro ou grito e falar que aqui ele não vai fazer nada!". E assim vai dando mais segurança para a criança. 

Papai Noel, palhaço e pessoas vestidas de bichos ou personagens são péssimos encontros para minha filha de 2 anos, que sempre chora quando vê. Chora no início, depois pede para eu ficar de longe, mas de um jeito que ela possa ver também. É normal? 
Esta criança provavelmente tem problema com lidar com o diferente, prefere sempre o que já é conhecido e identifica como algo “esquisito”. A parte boa desta história é que, pelo visto, ela vê as outras crianças brincando e dá o crédito a elas de que é bom. O caso aqui é primeiro respeitar esta que pode ser a natureza da criança. E o que se pode fazer é proporcionando oportunidades de a criança experimentar coisas diferentes, seja uma brincadeira, um alimento, um lugar novo. Isto já pode ajudar.
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Sem a gente perceber, meu filho de 5 anos viu as cenas de um tsunami e agora quando vamos à praia acha que vai acontecer a mesma coisa. Como proceder? 
Explicar, conforme a idade da criança, que na praia que eles estão não é igual ao filme é o primeiro passo. Detalhar mesmo que ali não acontecem as mesmas coisas, mostrar o lado bom de estar naquele lugar, e dizer que quando tiver algum tipo de perigo seus pais iriam proteger e não deixariam ficar lá. 

Tenho muito medo de injeção, mas nunca tratei e quando vou levar minha filha de 2 anos para vacinar sempre coloco no colo do pai. Como faço para ela não se assustar? Quando a mãe sabe percebe a limitação e procura ajuda do marido ela precisa comunicar . 
Mesmo quando percebemos nossa limitação podemos explicar nomeando uma outra pessoa para ajudar. Diga algo como: “O papai vai ajudar você, veja! Ele vai segurar você quando precisar dar uma picadinha”. Frases simples e diretas podem ir acalmando vocês dois. 

Meus pais sofreram um assalto há alguns meses e como nós todos ficamos muito assustados aqui em casa, minha filha, de 4 anos, agora tem medo de andar de carro por muito tempo, ficando em pânico em cada farol que paramos. O que eu posso fazer na hora ou conversar com ela depois? 
Isto pode ser chamado de medo aprendido, neste caso, pelo relato dos adultos. Ou seja, aconteceu porque o ambiente em que a criança vive ficou alterado com a situação, é um medo real. Ele deve acabar em algumas semanas, neste caso é mais paciência mesmo. Se não, é preciso procurar ajuda profissional.

Rafael Antón
Embora peça para eu ler, meu filho de 5 anos está com muito medo de lobo mau e bruxa. Vive falando neles, mas pede às vezes para eu parar a história no meio. É normal algumas vezes gostar e outras não? Devo continuar lendo? 
Sim, é normal. As histórias que despertam o medo também despertam a curiosidade. O que acontece com a criança é alternar mesmo os momentos de paralisar com o medo, e os momentos de superação do medo. É nesse jogo que ela vai se autoconhecer, o que é fundamental para enfrentar as dificuldades. 

A hora de ir ao médico está mais confusa em casa, porque meu filho, de 2 anos, fica apavorado quando encontraqualquer pessoa vestida toda de branco. Ele teve uma série de idas ao hospital para fazer inalações e acho que traumatizou. 
O ideal é que a família procure um médico que seja mais adepto ao lúdico. Ou seja, que tenha o ambiente arrumado de forma que a criança se sinta brincando, mais informal. Há até os que nem usam somente branco. O interessante aqui é que mesmo o cérebro tendo gravado a situação de medo, ele, com esse novo método, pode corrigir e fazer o medo passar. 




Depois do reveillón, meu filho de 1 ano e meio ficou com medo de fogos de artifício. Agora, quando começam os fogos por causa de um jogo de futebol, por exemplo, ele vai até a sacada e aponta para o céu, resmugando. Acho que é o barulho alto. A gente sempre fala que ele não precisa ficar com medo e que o papai e a mamãe estão ali com ele. Mas                  nem sei se essa é a melhor atitude. 

Sim, este é um jeito correto de agir. Mas não peça para a criança não sentir medo, porque ela sente mesmo. A primeira coisa, talvez, é tirar a dúvida com um otorrinolaringologista se a criança não tem uma sensibilidade a mais na audição. Depois, uma alternativa é criar um ambiente com brinquedos ou outras coisas que ela goste, os pais por perto e deixar na televisão ou algo assim uma gravação que tenha fogos. No início bem baixinho e depois vai aumentando. Para que ele faça associação do barulho a um ambiente acolhedor. Pode fazer isso duas vezes por semana, por três a quatro meses. Se isso não resolver, procure um especialista.
Fontes: Graziela Zlotnik Chehaibar, psicóloga e terapeuta familiar e pesquisadora na Faculdade de Medicina da USP e Neuza Corassa, psicóloga de Curitiba e responsável pelo site medos.com.br.

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